A Estrada da Noite - Joe Hill

por - 8.12.14

     

Título: A Estrada da Noite
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro Ano: 2010
Sinopse: "Vou 'vender' o fantasma do meu padastro pelo lance mais alto..." Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas - o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas da banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um. Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Dessa vez, não se trara de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora."


Em seu primeiro romance Joe conseguiu construir uma trama muito interessante, com certeza ele trilha o mesmo caminho do pai, Stephen King.
O livro tem um enredo bom e personagens hiper verossímeis. São poucos, o que não cria uma confusão e fica fácil de compreender a história. O protagonista, um personagem muito bem construído, Judas Coyne, é um músico que busca em mulheres jovens e góticas um escape de seu mundo real. O engraçado, e esquisito, é que ele nunca as chama pelo nome, mas por seu estado de origem: Tennessee, Flórida, Geórgia...
Judas é louco por objetos macabros, como um livro de receitas canibais até uma fita snuff. Quando fica sabendo do leilão de um paletó assombrado por um fantasma, Jude não pensa duas vezes em dar o maior lance. A partir daí, o leitor acompanha a trajetória do astro do rock em tentar se livrar desse pesadelo.
Judas acaba descobrindo se tratar de um plano, muito bem arquitetado por sinal, para que ele comprasse o fantasma do padrasto de sua ex namorada, que se matou depois que o músico a abandonou. Mas se engana quem pensa que o padrasto quer vingança por esse motivo.
Judas decide cair na estrada com sua namorada, Geórgia, em busca de uma solução para se livrar do fantasma, o que acaba não sendo fácil, já que quem o vendeu, foi a enteada mais velha do morto. O cara é um mau exemplo de tudo, praticamente, mas isso não impede de torcer para ele a cada página.
O livro vai de ex integrantes da banda ligando e conversando com Judas, até seu assistente particular Danny Wooten, "não ter coragem no último segundo".  A história assusta, e  muito.

O livro me prendeu no mistério sobre as reais motivações do fantasma em perseguir o casal e como eles se livrariam de Craddock McDermott.
O final é satisfatório, nada a mais ou a menos do que eu esperava. Não tem pontas soltas, consegui compreender tudo do livro.
Conforme as páginas se passam, o leitor descobre porque o músico chama Judas, já que seu verdadeiro nome é Justin, e o porque dessa mudança.


A trama tem ótimos diálogos, a parte que mais gostei e (quase) chorei está na página 208:
“- Anna? Consegue me ouvir? Consegue ouvir minha voz?

A princípio ela continuou sorrindo, sem responder. Então piscou os olhos e disse:
- Que foi? Você disse alguma coisa, papai? Eu estava ouvindo Jude. No rádio. É minha música preferida.
Os lábios do velho se apertaram até perderem a cor.
- Esse homem - ele disse cuspindo. Craddock pegou uma ponta do envelope, arrancando-o das mãos dela. Depois se endireitou, virou-se para uma das janelas e puxou a persiana.
- Eu te amo, Flórida - disse Jude. [...]
- Eu te amo, Jude - disse Anna em voz baixa.
Ao ouvir aquilo, Craddock teve um sobressalto e seus ombros estremeceram.”

Joe Hill nos ensina que cedo ou tarde, temos que bater de frente com nossos desafios, e se tem algo que não se pode escapar, é a morte. O livro que contém 256 páginas, merece ser aplaudido.
Espero que a obra seja rapidamente adaptada para as telonas. Apesar de não existir nenhum anúncio oficial sobre o filme, imagino Gary Oldman interpretando o rebelde Coyne.

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