Resenha: Garotas de Vidro - Laurie Halse Anderson

por - 30.4.15


Título: Garotas de Vidro
Autor: Laurie Halse Anderson
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012 Páginas: 272. 
Sinopse: Lia está doente e sua obsessão pela magreza a deixa cada vez mais confusa entre a realidade e a mentira. Mas ela perde totalmente o controle quando recebe a notícia de que sua melhor amiga, Cassie, morreu sozinha em um quarto de motel. E o pior: Cassie ligou para Lia 33 vezes antes de morrer. O que começou como uma aposta entre duas amigas para ver quem ficaria mais magra tornou-se o maior pesadelo de duas adolescentes reféns de seus próprios corpos. Garotas de Vidro é uma história intoxicante sobre a autorrepugnância e a busca pela identidade. Neste livro, Laure Halse anderson aborda de modo realista a dolorosa condição de jovens que sofrem de transtornos alimentares e sua complicada relação com o espelho e consigo mesmos.

Quando pequena o que Lia mais queria era ser magra, não líder de torcida; não a namorada do garoto mais popular do colégio ou a inteligente da turma; não a mais popular ou a mais tímida. Ela queria ser magra, mas não apenas magra, e junto com sua, então, melhor amiga, Cassie, Lia aposta quem será a mais magra.
O que deveria ser uma brincadeira, acabou se tornando uma meta.
Garotas de vidro é uma história sobre culpa, verdades distorcidas e a busca incansável pela magreza como um meio de fuga dos relacionamentos não tão bons com a família.
Lia e Cassie encontram juntas força para levar suas metas e sonhos adiante, uma sendo apoio e ajuda da outra. Uma amizade que deveria ser para sempre até que Cassie é encontrada morta em um motel da cidade.
Sua morte abala todos ao seu redor, inclusive Lia, que já não tinha tanto contato com Cassie, a amizade não era a mesma. Lia se sente culpada já que na noite da morte, Cassie liga 33 vezes mas não obtém resposta.
A história se passa do ponto de vista de Lia, assim podemos ver como ela pensa, o que sente e suas memórias e entendemos o porquê de seu comportamento.
Como Cassie morreu já não é o centro das atenções mas sim o motivo, que parece ser o que está levando Lia para o mesmo caminho.

— Cindy quer falar com você, — minha mãe diz. — Ela me disse que você é a única pessoa que pode ajudá-la a compreender por quê.
[...]
Vomite e passe fome e corte e beba porque você precisa de um anestésico e ele funciona. Por um tempo. Mas, depois o anestésico se transforma em veneno e aí já é tarde demais, por que você o está injetando agora, direto para sua alma. Ele está te apodrecendo e você não pode parar.
Olhe-se num espelho e encontre um fantasma. Ouça cada batida de coração, cada coisinha está errada com você.
Por quê? é a pergunta errada.
Pergunte — Por quê não?

 A cada capítulo os motivos de Cassie vão aparecendo, a história se torna angustiante e real, com doses de bulimia, anorexia, automutilação, solidão e depressão.
Lia se torna uma imagem de tantos adolescentes que existem hoje em dia, que sofrem com bulying e não conseguem aceitar a sua própria imagem. 

"Eu levanto meu braço para fora da água. É um tronco. O coloco de volta para baixo e ele fica maior ainda. As pessoas veem o tronco e o chamam de galho. Elas gritam para mim por que eu não consigo ver o que elas veem."

Lia sabe de cada caloria que ingere e cada caloria contida em qualquer alimento, ela se monitora afim de sempre emagrecer; sempre querer menos, menos calorias, alimentos, menos quilogramas.
Laurie Halse consegue descrever, não apenas escrever, os sentimentos de Lia. Ela repete por várias, e várias, e várias vezes o que Lia encontra quando olha para o espelho.
A dor que a autora consegue passar através de Lia, o que ela sente e como se enxerga - gorda, feia e estúpida - é tão verdadeiro que por vezes parei de ler para respirar um pouco, porque é algo que acontece, é algo que está no meu, no seu, no nosso dia a dia e não percebemos, não paramos para dar atenção, são jovens que não conseguem se aceitar e/ou não são aceitos por nós: sociedade.
Os distúrbios psicológicos presentes nos livro são tão reais quanto qualquer caso que já tenhamos ouvido falar.
Algo que não me agradou, acabou me incomodando, é a maneira fantasiosa que Lia vê as coisas ao seu redor, parecia ser compreensível a sua fuga da realidade. E isso foi sendo repetitivo e entendi que é algo apenas da personagem.
Esse é o primeiro livro da autora que li, e me surpreendi com a clareza que ela trata esse assunto, que aflige milhares de pessoas nos quatro cantos do mundo.

http://www.quaseoutono.com/search/label/projeto%20liter%C3%A1rio
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2 comentários

  1. Nossa1 recentemente li Fale! da mesma escritora... Achei a resenha interessante, vou procurar o livro.
    Beijos!

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    Respostas
    1. To querendo muito ler Fale, principalmente depois que assisti ao filme.
      Procura sim e me diz depois o que achou!
      Beijoo!

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