#642Coisas Cleptomania

por - 1.6.15

“No começo eu achava normal, achava.
Era um lápis que meu colega não iria dar falta. A pequena quantia em dinheiro do meu pai, figurinhas exclusivas do meu irmão. Coisas pequenas, coisas que ninguém iria se importar, coisas que poderiam faltar.
Talvez isso tenha começado com a morte da minha mãe porque depois daquela data eu adquiri dois vícios: fumar e beber.
O cigarro era algo passado de pai para filho. Milhares de substâncias tóxicas enroladas em um maldito papel que me trazia leveza quando o amargo tocava minha língua.
A bebida veio de velhos colegas, que não dispensavam uma festa com um bom whisky, mas isso eu não sei realmente de onde veio ou como chegou até mim.
Perigoso? Talvez. Saudável? Depende.
Eu achava normal quando me faltava cigarros e estava sem dinheiro para consegui-los comprando. As vezes o dinheiro estava no bolso mas a vontade de não pegar filas falava bem alto. Era fácil. Pega, não paga, e vai embora. Quem iria sentir falta de um maldito pacote com 20 cigarros? Ninguém. 
As vezes, para evitar esse tipo de coisa o jeito era pensar em fazer os meus. Mas eu não evitava, eu nunca evitava.
Não era o famoso "eu pago depois." Eu tinha o maldito dinheiro para pagar, só que as filas eram grandes... As filas ainda são grandes.
Prazeroso? Sem dúvida alguma. Medo? Eu o desconheço.
A possibilidade de acabar me ferrando fazendo isso passa poucas vezes em minha mente.
Nunca senti remorso, vergonha ou culpa depois.
Eu precisava dos cigarros, de álcool, alguns livros e isqueiros, ponto.

Eu não precisava dela.

Mas, algumas vezes, pegamos coisas que não precisamos.

Eu não precisava de sua ajuda quando ela descobriu, nem de suas tediosas consultas, onde eu passava boa parte em um divã.
Isso não tem cura, eu a lembrava. Não importava o que especialistas iriam dizer, as filas ainda continuariam grandes.
É apenas uma droga de vício, como qualquer outro, não sei por que ela não conseguia entender isso. Um nome grande para algo tão pequeno. Tão insignificante.
Após algumas consultas eu a queria como minha, me pergunto se isso poderia ser classificado como cleptomania. E querer ter algo, alguém, que não é seu, que não precisa, que anda com um anel no dedo anelar com a unha pintada de cinza, me parecia tentador. É tentador. Ela se tornou meu quarto vício. Meu favorito.
Mudei? Não.
As pessoas não mudam, nem nunca vão mudar. O que muda são seus vícios, suas metas, seus problemas.
Minhas metas já foram alcançadas, meus problemas resolvidos e eu achava normal ainda precisar dos meus vícios.”
--

É sério, eu tenho que parar de ler fanfics hehe
Está aí o resultado do tema Cleptomania, pelos olhos de um cara, de vinte e poucos anos, que acha normal isso.
Me diga o que achou ai nos comentários :D

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