O que achei de: Schroder - Amity Gaige

por - 9.3.16

     
Schroder (Schroder - 2013)
Autora: Amity Gaige
Ano: 2014
Páginas: 256
Editora: Intrínseca
Sinopse: “Um folheto de divulgação de uma colônia de férias exibe meninos americanos felizes e integrados. Para se tornar um deles, o adolescente Eric, que deixou a Alemanha Oriental rumo aos Estados Unidos aos cinco anos, acredita que deve ter um inglês impecável e sem sotaque, uma história familiar enraizada nos Estados Unidos e o sobrenome Kennedy. Ao se inscrever na colônia de férias, Eric Schroder assumirá uma nova identidade, romperá com seu passado, e, talvez tarde demais, descobrirá quanto se tornou refém da própria mentira. E então nem mesmo uma filha e o casamento dos seus sonhos poderão ajudá-lo.”


O livro começa com Eric Kennedy pedindo desculpas à sua mulher, Laura, relatando os acontecimentos de sua vida e mentira, que o fez mudar de identidade, em 1984. 
A partir daí, conhecemos um garoto que esqueceu de sua origem alemã, tentando ser e viver como um americano. Essa pequena mentira não o impede de construir sua vida, se casar e ter uma filha.

“Por que eles acreditaram em mim? Só Deus sabe. Tudo o que posso dizer é que era 1984. Podia-se fazer a inscrição no seguro social pelo correio. Não havia bancos de dados. E era preciso ser muito rico para ter um cartão de crédito. Guardavam-se testamentos em cofres de bancos e o dinheiro vinha em grandes maços de notas. Não havia essa tecnologia da onisciência. Ninguém queria nada disso. Você era quem dizia ser. E eu era Eric Kennedy.”
página 14

A história gira em torno de seu arrependimento, por não ter notado o quão omisso foi durante seu casamento, e por não ter visto o quanto Laura estava infeliz, os levando a separação, e o levando a ações nada premeditadas.

“Mas havia um abismo entre minha ideia de quanto as coisas iam mal e a sua ideia de quanto as coisas iam mal, e a nossa vida caiu nesse abismo.”
página 28

Narrado em primeira pessoa, como uma carta (enorme) para Laura, Eric conta quais foram seus motivos e razões para mudar de identidade, e, com muitos capítulos, tenta explicar, e até justificar, suas escolhas e decisões. 
Logo no epílogo da para se ter uma noção de algo que eu não esperava que acontecesse no decorrer da história, e fiquei com cara de trouxa por não ter notado.
O cara até diz ser parente distante da família Kennedy, confirmando quando pessoas perguntavam se ele tinha algo a ver com eles. Mas esse nem é seu verdadeiro sobrenome, foi criado quando ele ainda era um adolescente, para satisfazer seu desejo de ser outra pessoa, com uma outra origem, sem sotaque ou família.
Um dos diálogos que mais gosto, é quando Eric procura um advogado, que fala na lata que Laura não o ama. É uma separação, uma preparação para o divórcio, aceite Eric.

“—Esqueça. De uma vez. Por todas. A sua ex-mulher não o ama mais. Uma mulher que está tentando afastá-lo dela e de sua filha não o ama mais. Não seja como aquela esposa agredida, Eric, que foi esfaqueada cinquenta e sete vezes pelo próprio marido. Como uma pessoa fica com outra por tanto tempo para ser esfaqueada cinquenta e sete vezes? Resposta: ela ainda estava esperando receber amor.”
página 39

Eric alterna entre passado e presente, lembrando de sua infância, onde existia um personagem muito triste, por sinal, e de como sofria por ser estrangeiro, na tentativa de justificar suas ações e o que fez com sua filha, Meadow (EITA!). 
Amity Gaige, em seu terceiro livro, me conquistou com sua escrita, e foi por isso que dei fim a leitura, que me deixou com perguntas do tipo “O que acontece agora?????”, senti falta de um final satisfatório, mas vou levar em conta que toda a história contada por Eric era direcionada para sua ex-mulher, ninguém além. Vou superar, espero.

“Acho que eu precisava de uma vida que pudesse revisar. E se eu tivesse aceitado a minha vida, minha primeira vida, teria respeitado os seus limites. Teria vivido calmamente, quase sem sonhar. Teria convencido a mim mesmo que uma vida triste e quieta era adequada. Mas, em vez disso, eu sonhei. Decorei todos os quartos do meu passado com os prazeres que encontrava por toda parte. Até mesmo me apaixonar por você, Laura — especialmente me apaixonar por você e me sentir tão diferente... O amor foi o meu contra-argumento.”
página 246

Ler sobre separação, divórcio e brigas pela custódia de uma criança, na visão de um homem, foi algo novo para mim, apesar do livro ter sido escrito por uma mulher.
A história tem poucos acontecimentos, sem muitos diálogos, e é nada mais do que um pedido de desculpas,e explicações, a Laura.
Sabe aquela história de que se uma mentira é contada várias e várias vezes, ela acaba se tornando uma verdade? Então, foi nisso que Eric se segurou, tentou acreditar em sua verdade. Mas, sua história não se tornou real suficiente para que as pessoas acreditassem, para que ele acreditasse. E para que eu me apegasse a esse personagem.

*Curiosidade: Schroder foi considerado o parente mais próximo do polêmico Lolita, escrito por Nabokov, pelo jornal Los Angeles Times sem o motivo que tornou Lolita uma história polêmica.

“Como dá para ver, é uma longa história.
Ainda não sei como termina. Mas começa com amor.”
página 231
Gostei de Schroder, é uma boa história, só gostaria de saber mais sobre que rumo outros personagens tomaram, além de Eric, como Laura e Meadow. 


E você, já leu esse livro? Não leu? Conta aí!

Um beijo e até mais!
(ah, e me acompanhe pelas redes sociais, tem coisas nonsenses mas eu sou legal)

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